terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Depois de um joelho bem machucado e alguns arranhões, eu pedalei forte e firme.
Ali eu aprendi a andar de bicicleta, um nosso a menos a ser realizado da minha lista de sonhos.
Outro sonho que me surgiu ali, de repente, foi o de aprender a usar o freio.
Esse não se realizou tão rápido, e muitas outras vezes eu cai. Mesmo depois de aprender.
É interessante a ideia de realizar sonhos, na verdade é como se fosse o sentido da vida.
Quando eu mais jovem, em uma idade onde ainda possui dentes de leite, tinha sonhos curiosos,
se aposentar e jogar futebol profissional eram os mais comuns.
Namorar com as menininhas da sala era ainda mais interessantes,
mas acho que me tornar jogador era mais fácil. Elas eram exigentes.
São ainda. Mas, a questão é que eu alimentava meus sonhos e por mais engraçados e estranhos,
era o que eu queria. Ao fim da troca dos dentes de leite, eu ainda olhava pras meninas,
com um olhar mais diferente. Ainda queria jogar futebol profissional, mas já não queria ser aposentado,
na verdade já sabia dos 35 anos de contribuição e decidi adiar esse sonho.
Anos mais tarde eu queria um emprego, e antes mesmo de acabar o período de experiência eu queria férias.
Na faculdade eu queria que o tempo passasse pra chegar o fim de semana,
depois que ele voltasse pra dar tempo de estudar para as provas.
Somos assim, pensamos no futuro e vivemos o presente, somos reféns dos nossos sonhos,
muitos deles vão se realizar e serão lembrados por toda a vida, outros nós esqueceremos.
Não que deixaram de ser importantes, mas por que se foram.
A única certeza que temos, é que enquanto todos vivemos nossas vidas e paralelo a isso corremos em buscas dos sonhos,
a vida acontece. Ela não para ou volta. Ela só segue. Gosto do meu Santos,
mas eu certamente deixaria de assistir o jogo para sair com uma pessoa legal e ir a um cinema com ela.
Trocaria um fim de semana agitado e festeiro para estar em casa com meus pais.
Na verdade, eu vi que algumas coisas por mais divertidas que são,
podem dar espaço a outras coisas que não são propriamente nossos sonhos, mas que podem ser.
No fim tudo é questão do que estamos dispostos a aprender com as decepções que temos na vida.
Uma demissão, um fim de relacionamento ou ainda além, a perda de uma pessoa querida.
Nossos sonhos envolvem isso tudo e acredito que pior do que um sonho não se realizar,
é se realizar e você deixa-lo ir. Ou ele simplesmente ir.
A vida continua.
Tudo na vida me intriga. Tudo me fascina. Gosto das coisas simples e da boa prosa.
Hoje já não penso em ser jogador profissional. Tenho outros sonhos, outros desejos,
outros pensamentos. A idade veio e não trouxe apenas fios brancos,
trouxe a poeticamente o sabor da amargura e o desejo de vitória.
A família é a chave de tudo, se muitos dos meus sonhos se realizaram,
devo a eles. Amigos, muitos estavam lá quando se realizaram, poucos estavam quando acabou.
Não é questão de se os sonhos vão se realizar ou não.
Não são os sonhos que nos motivam a seguir e acreditar,
são as pessoas que estão conosco.
Ando por ai, de mente aberta. Observo tudo e todos.
Apenas olho e nada digo. Sigo andando, atencioso nada passa despercebido.
Não sei o que bem procuro, mas sei que encontrarei.
Vejo sofrimentos e alegrias, choro e sorrisos.
A cada esquina, vejo a historia de um povo.
Um povo que chegou até aqui, vindo de tantos outros povos e outras culturas.
Povo esse que hoje vive junto e separado. No anonimato,
é observado pelos olhos que não se fecham. Todos tem objetivos e sonhos,
distintos e comum em seu fim.
Observo a transição. Observo alem do sorriso e de lagrimas.
A mesma voz que ecoa nas ruas que se perdem de vista, ecoa no coração.
Povo esse, que é Brasil. Tudo junto, tudo misturado. Talvez até, tudo bagunçado.
Ando por ai, de mente aberta, mas principalmente, de coração aberto.
Não quero mais só ouvir e observar. Não quero só acompanhar e ver o choro e o sofrimento,
as alegrias e sorrisos. Quero tudo isso, e quero mais. Quero mais Brasil, quero mais Brasil!
Nada me passa despercebido, nada me foge aos olhos.
O que vejo, é um povo que ama e sofre.
Que vive e morre.
Ando por ai, de mente aberta, mas principiante,
de sorriso no rosto e vontade de amor ao meu povo no coração.
E feliz em saber, que já não ando sozinho.
Gosto do vento, do fim de tarde, gosto de muitas coisas que posso apenas observar.
Talvez, eu apenas queira ficar ali, com o olhar fixo e o coração aberto.
Quem sabe, eu poderia estar lá, próximo disso, não sei onde, mas sei que quero.
Procuro em mim mesmo as respostas que procuro, mas não encontro.
E também não as encontrarei no fim de tarde ou olhando a beleza dos céus.
Encontrarei no acordar pela manha, na determinada caminhada da minha vida,
no me entregar a vitória. Vitoria essa que, nem sempre virá, mas que quando vir,
será cortejada e valorizada. Quando não vir, será mais um dia em que ela não veio.
Talvez a vida seja isso, ter cabelos brancos e um monte de ideias na cabeça.
Bem, na verdade esse meu um monte, pode ser descrito como inúmeras,
mas a maioria não faz sentido, e por incrível que pareça,
gosto tanto das minhas ideias sem sentido quanto do fim de tarde e do vento.
Só gosto de imaginar a loucura e sorrisos sem sentidos, isso se não forem o mesmo,
isso se não for eu. Sei lá, é tudo ideia minha. É tudo loucura minha.
Gosto assim, e gosto de coração.

Jo

Fim de tarde, já se ia o sol, era sua hora.
Calado, caminho. Pensativo sigo. Gosto assim, da calmaria, 
contemplando o fim do dia e começo da noite, 
onde tudo se toca, onde tudo encanta. 
Sigo meus passos, hora sorrio, hora sigo disperso, em nada penso. 
As vezes meus próprios pensamentos me confundem, 
as vezes me invadem e me provocam risos. Mudo rápido de ideia, de pensamento. 
Quase sempre me surpreendo. Mas as vezes, só deixo as ideias irem, e elas se vão.
Vão junto com o sol, somem ao horizonte. É bonito de ver, e as vezes, confuso.
Mas assim como vão pensamentos, também vem pensamentos. 
As vezes sobre tudo. As vezes, sobre quase nada em especifico. 
Só pensamentos avulsos, sobre coisas que me conto em meus momentos só.
Caminho passo a passo, a frente, sem destino, só. Gosto de muitas coisas, 
mas as vezes, sei lá. E o que as vezes também me faz sorrir, é seguir com os olhos a ida do sol,
e ver ali o sorriso dela.
No dia seguinte tudo volta e se vai. É assim, sempre assim. 
Sorrisos, olhares, pensamentos. Tudo se eterniza em minha memoria, 
que as vezes vem e vai. Mas nunca me abandona.
E ainda me perguntam o que me encanta, e se assustam quando digo tudo, 
inclusive ela. Mas como pode ser tudo? 
E logo atribuem o meu gosto a um termo genérico das coisas, mas só eu sei, 
que meu gosto é quase infinito. E de mim mesmo, só eu entendo. E olhe lá!